O jovem Vagner Cauã Leão, de 20 anos, morador da Fazenda 44, alcançou um feito histórico ao conquistar o 1º lugar no curso de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no processo seletivo de 2026, pela modalidade destinada a estudantes oriundos da escola pública.
Filho da agente comunitária de saúde Augusta Maria, do PSF Desvio, e do saudoso José Carlos Leão, Cauã representa a força da educação como instrumento de transformação social. Egresso da Escola Estadual Luiz Augusto Azevedo de Menezes, o conhecido “Luizão”, o jovem transformou as limitações do ensino público em motivação para construir uma das trajetórias acadêmicas mais expressivas da região nos últimos anos.
A aprovação na UFRJ — uma das universidades mais prestigiadas da América Latina — não surgiu de forma isolada. Ela representa o ponto mais alto de uma caminhada marcada por resiliência, disciplina e persistência. Ao longo dos últimos anos, Cauã acumulou cinco aprovações em Medicina, alternando entre bolsas integrais em instituições privadas e vagas em universidades públicas de destaque.
Atualmente, embora tenha alcançado o topo da lista na universidade federal fluminense, o futuro médico já cursa o 2º ano da graduação em Medicina na capital pernambucana, onde segue consolidando sua formação acadêmica. Para ele, cada aprovação representou mais do que um resultado individual: foi a confirmação de que o esforço do estudante sertanejo tem o mesmo valor e potencial que o de qualquer grande centro urbano do país.
Com maturidade e consciência social, Cauã reconhece os desafios enfrentados por quem depende do sistema público de ensino.
“Sou ciente da dificuldade e da fragilidade que enfrentamos no ensino público. Poder compartilhar esta aprovação com meus conterrâneos é de uma felicidade extrema, pois sei o que passamos para chegar até aqui”, afirmou.
A conquista é celebrada como uma vitória coletiva pela comunidade do Povoado 44 e pela equipe pedagógica da Escola Luiz Augusto. O jovem faz questão de destacar que a base educacional recebida no “Luizão” foi essencial para que pudesse competir em igualdade de condições com estudantes de todo o Brasil por meio do Enem e do Sisu.


