O assassinato que chocou o município de São José da Tapera, no Sertão de Alagoas, em 2023, terá um novo desdobramento judicial. Leandro Pinheiro Barros, acusado de matar a própria esposa, Mônica Cristina Cavalcante Alves Barros, será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri no dia 28 de abril de 2026, no auditório do Tribunal do Júri da Comarca de Arapiraca (AL).
O crime ocorreu em 18 de junho de 2023, na Rua 13 de Maio, no centro da cidade. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), o homicídio foi motivado por ciúmes e classificado como homicídio qualificado por motivo torpe, enquadrado como feminicídio. A vítima, de 26 anos, foi morta a tiros em via pública, em frente ao fórum local, logo após deixar uma festa.
As investigações apontam que, momentos antes do crime, Leandro teria se envolvido em uma discussão com Mônica, motivada por um elogio feito pelo pai da jovem à filha. Ainda segundo a apuração policial, o acusado teria agredido o sogro com um tapa no rosto e, em seguida, retornado à residência do casal, onde pegou uma arma de fogo antes de cometer o assassinato.
Um vídeo gravado pela própria Mônica instantes antes de ser morta, no qual relata episódios de abuso e violência doméstica ao longo do relacionamento, teve a exibição autorizada pela Justiça e poderá ser apresentado durante a sessão do júri. Laudos periciais confirmaram que a causa da morte foi disparo de arma de fogo e também identificaram sinais de agressões físicas anteriores.
Após o crime, Leandro Pinheiro Barros fugiu do país e permaneceu foragido por cerca de dez meses, até ser localizado e preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Posteriormente, ele foi extraditado para o Brasil e segue custodiado em Alagoas, à disposição da Justiça.
A decisão de transferir o julgamento de São José da Tapera para Arapiraca foi tomada para garantir a imparcialidade dos jurados, em razão da grande repercussão e comoção causadas pelo caso na cidade onde ocorreu o crime. O sorteio dos jurados está previsto para o mês de março, e defesa, Ministério Público e testemunhas já foram devidamente intimados.


