Atualmente, mais de 94 milhões de pessoas no Brasil recebem algum tipo de auxílio social financiado pela União — um contingente que representa cerca de 44% da população nacional. Para efeito de comparação, esse número equivale a toda a população do Egito, ilustrando a dimensão da política de assistência brasileira.
A maioria dos beneficiários está vinculada ao Cadastro Único (CadÚnico), base que reúne informações de famílias de baixa renda e dá acesso a mais de 40 políticas públicas. O Bolsa Família é o programa mais representativo dentro desse universo, atendendo sozinho a 57% dos inscritos.
A manutenção dessa rede de apoio exige recursos vultosos: aproximadamente R$ 500 bilhões ao ano, valor próximo a meio trilhão de reais.
Mesmo diante da forte dependência, há indícios de avanço na inserção produtiva. De janeiro a julho, foram abertas 1,49 milhão de vagas com carteira assinada, e 77% delas foram ocupadas por pessoas cadastradas no CadÚnico.
Especialistas, contudo, ponderam que esse dado também revela um cenário delicado: a predominância de beneficiários entre os novos contratados pode indicar tanto oportunidades de mobilidade social quanto a persistência de uma base trabalhadora com renda frágil, presa ao ciclo da vulnerabilidade econômica.


